O “coletor que virou prefeito” prova ser um mestre na arte da distração. Em uma manobra digna de aplausos (dos tapados das redes sociais), ele oferece Wi-Fi grátis onde falta o básico. É o “acolhimento digital”.
Você espera meses por um médico, mas faz isso conectado. O objetivo parece ser um só, manter a população entretida demais com o celular para perceber que a saúde municipal está em modo offline. Uma efetividade escandalosa para esconder uma gestão que, na prática, vive dando erro de sistema.
Enquanto falta medicamentos nos postos de saúde, consultas, exames e acesso à especialistas demoram meses e até anos para se concretizarem, Guilherme Gonçalves hábil no diversionismo, solta uma novidade que vai fazer a alegria de quem vive com o 4G no limite: a partir de segunda-feira (19), a UPA terá Wi-Fi grátis.

Agora, se você estiver lá esperando o médico, não precisa mais gastar seus dados móveis para mandar aquele áudio de 5 minutos contando o que está sentindo. O objetivo, segundo o prefeito, é garantir que ninguém fique incomunicável na hora do sufoco — seja para avisar a família que “tá demorando, mas tá saindo” ou para pedir um carro de aplicativo sem precisar fazer sinal de fumaça, ou usar carrão oficial do prefeito lá na porta da UPA
Nas redes sociais o anúncio rendeu mais comentário que post de sorteio.
O Time do “Amém coletor “aplaudiu, dizendo que o sinal de internet é o novo “soro na veia”. Afinal, esperar atendimento sem Instagram e Face Book é quase uma tortura medieval.
A turma do “Não fez mais que a obrigação” é aquela galera que lembra que Wi-Fi não cura gripe, mas ajuda a passar o tempo enquanto o médico não chama.
Alguns internautas aproveitaram o sinal liberado para já aumentar lista de prioridades do prefeito. “Legal o Wi-Fi. E o cafézinho?”.
Um outro lascou: “Viva!! O sorriso digital e a conversa pra boi dormir do Prefeito e a saúde analógica do povo”. No fim das contas, a UPA de Ourinhos agora é conectada. Se o atendimento demorar, você pode maratonar uma série, postar uma selfie com a pulseirinha de triagem ou até procurar seus sintomas no Google e descobrir que aquela dor de cabeça pode ser “qualquer coisa entre sono e uma invasão alienígena”.

