Por João Teixeira
O Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano, a obra teórica de Carlos Marighella que, segundo o biógrafo Mário Magalhães, serviu-lhe de “passaporte para a eternidade”, teve a colaboração de duas militantes especiais. A estudante de Ciências Sociais (USP) Ana de Cerqueira Cesar Corbisier datilografou os originais do livro e o traduziu para o francês.
A professora de Mirassolândia Robêni Baptista da Costa, juntamente com Alcides Mamizuka, este aluno da Unicamp, foi o casal de vida regular encarregado de uma tarefa perigosa: a montagem de uma pequena gráfica na casa onde moravam, em Vila Ipojuca, onde foi impresso o livro histórico que serviu de orientação aos Panteras Negras, dos EUA, e ao Baader-Meinhoff, da Alemanha.
O Mini-Manual que foi régua e compasso nas ações da Ação Libertadora Nacional – ALN, de Carlos Marighella, o “inimigo número um da ditadura militar brasileira”, foi impresso á noite em ambiente isolado para que o barulho não despertasse suspeitas na vizinhança. Estas revelações constam de dois livros recém-lançados sobre os “anos de chumbo”, “Clandestina”, de Ana Corbisier, e “Ainda Estamos Vivos”, do autor deste texto.
O livro histórico foi lançado em junho de 1969, três meses antes do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick. Logo ganhou versões mimeografadas e fotocopiadas, algumas diferentes entre si, sem que seja possível identificar o original. A obra consagrada do político, escritor e guerrilheiro marxista-leninista brasileiro (1911/1969) mobilizou seus inimigos.
Em 1980, a CIA americana traduziu o manual para o inglês e o espanhol para que fosse distribuído aos serviços de inteligência de todo o mundo e para que servisse como material didático na EScola das Américas, no Panamá.
Em 2021, a Fundação Getúlio Vargas reescreveu o Manual do Guerrilheiro Urbano como contrainteligência na guerra contra grupos guerrilheiros.
“É considerado pelo Terror Mundial como a melhor obra para ações de guerrilha em ambiente urbano”.
João Edivaldo Teixeira é jornalista e escritor com mais de meio século de atuação. Graduado pela Faculdade Cásper Líbero em 1975, consolidou uma carreira brilhante nas principais redações do país, incluindo o Jornal da Tarde (Grupo Estado), O Globo, Folha de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil, além do Diário de São Paulo e Diário da Noite. No campo editorial, editou a coletânea de contos Vício da Palavra (1977) e a obra Mensageiros da Miscigenação (2013). Em Ourinhos foi colaborador e conselheiro editorial do Jornal Contratempo .

João Edivaldo Teixeira é jornalista e escritor com mais de meio século de atuação. Graduado pela Faculdade Cásper Líbero em 1975, consolidou uma carreira brilhante nas principais redações do país, incluindo o Jornal da Tarde (Grupo Estado), O Globo, Folha de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil, além do Diário de São Paulo e Diário da Noite. No campo editorial, editou a coletânea de contos Vício da Palavra (1977) e a obra Mensageiros da Miscigenação (2013). Em Ourinhos foi colaborador e conselheiro editorial do extinto Jornal Contratempo .

