Acuada Prefeitura tenta conter protesto de hoje às 16h na sede da Secretaria de Cultura

Cidade Cultura & Lazer Denúncia

Parece que a pressão popular faz milagres pela eficiência administrativa. No momento em que os artistas se organizam para ocupar as ruas contra o descaso, a prefeitura sacou da cartola o informativo ” ainda não temos o edital estamos trabalhando”.

A desculpa da vez? Estão contratando uma consultoria para ensinar a Secretaria a fazer um edital. Sim, você leu certo: depois de um ano de espera, a fase atual ainda é a de contratar quem sabe fazer. Fica claro que a “segurança administrativa” citada pela pasta é apenas um eufemismo para a falta de planejamento crônica.

A nota oficial recomenda que os artistas — que estão há meses sem qualquer suporte — já comecem a escrever seus “projetos complexos”. Ou seja: a prefeitura ainda não tem o edital, não contratou a empresa de consultoria ( mas é preciso?) e só agora admitiu que o recurso chegou, mas exige que o artista já esteja com a caneta na mão para não perder um prazo que eles mesmos ainda não definiram.

Teatro fechado, professores desrespeitados, Conselho de Cultura inexistente

Se a prefeitura achou que o anúncio dos editais ia acalmar os ânimos, subestimou o tamanho do incêndio. A pauta das 16h vai muito além da Aldir Blanc ou da lentidão proposital na execução da Lei Paulo Gustavo. O protesto é contra o desmonte estrutural que está transformando a antiga “Cidade da Cultura” em um cenário de filme de abandono:

Teatro Municipal: O principal palco da cidade está interditado desde abril de 2025. Por enquanto, só promessas e a triste previsão de que ele continue de portas fechadas até o final de 2026.

Escola de Música e Bailado: Professores e alunos denunciam indicações políticas em cargos técnicos e uma queda drástica na manutenção básica das unidades.

Conselho de Cultura : Só no papel. Pela lei, ele deveria ser o guardião dos recursos e o porta-voz dos artistas, mas em Ourinhos, o Conselho parece ter virado um “fantasma”.

O rombo da FAPI vs. a migalha da Cultura

Enquanto o setor cultural “raiz” mendiga editais de sobrevivência, a Justiça bloqueou bens do prefeito e de secretários por suspeitas de irregularidades na 56ª FAPI. O cenário descrito nas investigações é revoltante: fala-se em R$ 1,5 milhão pagos em shows, enquanto lucros de camarotes supostamente teriam ido parar em contas de secretários.

O contraste é vergonhoso: tem dinheiro de sobra para megaeventos sob suspeita de fraude, mas para o artista local, o prato do dia é “esperar a consultoria de abril”.

O Grito das 16h

Agora que a Secretaria tenta apagar o fogo com um conta-gotas de esperança, o setor cultural prepara o grito. Afinal, projeto no papel não paga conta, e promessa de prefeitura acuada costuma ter prazo de validade curtíssimo. Às 16 horas, a resposta virá das ruas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *