Alexandre Zóio fala sobre governabilidade e o distanciamento de Guilherme Gonçalves

Cidade Política

Por José Luiz Martins

A situação política e administrativa em Ourinhos atravessa um período de forte turbulência, marcado pela percepção popular de má gestão e por uma crise financeira oficializada pelo Decreto de Contingenciamento de abril. Os primeiros rumores de um rompimento entre o prefeito Guilherme Gonçalves (Podemos) e o vice-prefeito Alexandre Zóio (Partido Liberal) surgiram ainda em fevereiro de 2025.

Passado mais de um ano, os indícios de distanciamento institucional e político tornaram-se evidentes, atingindo agora o que parece ser um ponto crítico diante do cenário de instabilidade agravado por denúncias de corrupção e ações de improbidade administrativa que resultaram, inclusive, no bloqueio de bens do prefeito. Tais fatos sinalizam um aprofundamento do colapso ético e governamental da atual administração e, em meio a esse caos, surge um questionamento crescente entre os munícipes: por que o silêncio de Alexandre Zóio?

A ausência de um posicionamento público do vice, contundente ou não, diante da crise de credibilidade do chefe do Executivo tem gerado muitas inquietações tanto na população quanto nos bastidores políticos. Historicamente, em momentos de fragilidade na governabilidade, vice-prefeitos tendem a se retrair estrategicamente para preservar o próprio capital político. Com Zóio, a postura não tem sido diferente; ele busca evitar ser tragado pelo desgaste do gabinete principal.

Em uma breve entrevista ao Ourinhos Diário, o vice demonstrou que, até o momento, prefere limitar-se a uma agenda estritamente institucional, participando de atos oficiais e inaugurações. No entanto, a pressão por respostas sobre suas intenções ganha força na opinião pública. Na condição de advogado e político experiente, Alexandre Zóio revelou que age com cautela, medindo o custo de manter uma ligação umbilical com um prefeito sob investigação judicial.

Posicionou-se como defensor de uma administração mais próxima das pessoas, o que o coloca como guardião das promessas de campanha. Ao mesmo tempo, fez questão de respeitar a figura do prefeito e a hierarquia institucional, evitando julgamentos. Ele não apontou um fato específico como o “ponto de ruptura”: segundo ele, o afastamento ocorreu num processo gradativo e por coerência de princípios, mantendo as portas abertas para o futuro e fugindo da espetacularização da briga política que inunda as redes sociais com muita desinformação.

Pergunta – Vice-prefeito, os rumores de distanciamento entre o senhor e o prefeito Guilherme Gonçalves é observado publicamente desde fevereiro de 2025. Após mais de um ano de evidências o senhor confirma o alardeado “rompimento”? Se sim, qual foi o ponto de ruptura que tornou a convivência política insustentável?

Resposta: Existe, sim, um distanciamento que já é percebido há algum tempo, e ele nasceu de divergências na forma de conduzir a gestão pública. Eu sempre acreditei em uma administração mais próxima das pessoas, mais sensível às demandas reais da cidade e com decisões que representassem aquilo que nós defendemos durante a campanha. E, ao longo do tempo, essas visões passaram a não caminhar na mesma direção.

Faço questão de dizer que respeito o prefeito enquanto pessoa e enquanto autoridade constituída. Política não precisa ser feita com ataques, mas também não pode ser feita abrindo mão de princípios. Chegou um momento em que, por coerência com aquilo que eu acredito e com o compromisso que assumi com a população, entendi que o mais responsável era manter minha posição, mesmo que isso significasse seguir por um caminho diferente dentro da gestão

Pergunta – O senhor tem mantido uma postura de silêncio durante todo o período em que a administração submergiu em crises de governabilidade e desgaste de imagem. Esse distanciamento é uma decisão isolada ou se estende também ao seu grupo político e aos seus correligionários de partido?

Resposta: Eu entendo que, muitas vezes, o silêncio pode ser interpretado de diferentes formas. Mas, no meu caso, ele nunca significou omissão. Eu continuei exercendo meu mandato de forma institucional e com respeito à cidade. Em momentos de crise, é preciso ter maturidade para entender que nem toda manifestação pública ajuda, algumas, inclusive, podem agravar ainda mais a situação. Minha postura sempre foi de equilíbrio. Não sou movido por impulso, nem por vaidade política. Sou movido por planejamento e responsabilidade.

Quanto ao grupo político, cada liderança tem sua autonomia, sua leitura e sua forma de se posicionar. O que nos une é o compromisso com a cidade e isso permanece. E faço questão de deixar algo muito claro para a população: independentemente de alinhamentos políticos, eu fui eleito para trabalhar pela cidade. E esse compromisso não mudou.

A população pode esperar de mim presença, responsabilidade e coerência. Eu vou continuar ouvindo as pessoas, atendendo as demandas e buscando soluções concretas. Não vou entrar em conflitos que não tragam resultado. Meu foco sempre foi e continua sendo fazer o que é melhor para a nossa gente.

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