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As críticas ao prefeito Guilherme Gonçalves (Podemos) pelo cancelamento dos festejos oficiais de Carnaval 2026, são um verdadeiro déjà vu de 2025. Na época, a publicidade oficial chegou a anunciar o grupo Revelação e artistas locais como atrações; no entanto, o prefeito voltou atrás. A tese era de que o orçamento da festa — entre R$ 600 mil e R$ 1 milhão — seria destinado a 150 cirurgias eletivas e aparelhos de Raio-X.
Bastaram três meses para que a primeira das inúmeras contradições do prefeito viesse à tona. Ora, se foi necessário sacrificar o Carnaval sob a justificativa de investir em saúde, por que não houve o mesmo rigor com os milhões gastos nos shows sertanejos da Fapi meses depois? Pelo jeito, para a gestão atual, o que cura o povo é berrante, não bisturi.
Os números impressionam: foram mais de R$ 3,5 milhões apenas em cachês, com valores repassados à Associação Comercial e Empresarial (ACE) que operacionalizou a feira. Contudo, projeções baseadas nos editais de 2025 indicam que o custo total para os cofres públicos, considerando toda a logística do evento pode ter oscilado entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões.

Em 2026, o filme se repete, mas agora Guilherme Gonçalves deixa transparecer que os cancelamentos vão além da questão financeira. No melhor estilo “Prefeito TikToker”, o suposto ex-coletor de lixo foi às redes sociais com uma Bíblia estrategicamente aberta para decretar o fim da folia. Um teatro para cancelar o que ele jamais pretendeu realizar.
O cancelamento já não soa como “falta de verba”, mas pauta moral e discriminação cultural — algo evidenciado pelas disfunções burocráticas impostas pela prefeitura ao Instituto Feira da Resistência e seus eventos.
A ideia é “lacrar” para a bolha conservadora, posando de herói da austeridade que troca o confete por pares de tênis escolares. Marketing, gestão nem tanto. Se o objetivo é calçar as crianças, o dinheiro deveria vir do corte dos shows sertanejos caríssimos.
Inexigibilidade de licitação = Ausência de austeridade
Repetindo o cenário de 2025, a pergunta que fica é: a prefeitura manterá os planos robustos para a Fapi 2026 e outros eventos? Tudo indica que sim e sempre via Inexigibilidade de Licitação. Tem sido assim com a Fapi e com a Marcha para Jesus, que no ano passado custou entre R$ 300 mil e R$ 600 mil.
Guilherme Gonçalves usa o Carnaval como uma moeda política viciada. Sacrifica uma manifestação de baixo orçamento que poderia movimentar o comércio, os artistas e produtores locais, para justificar compras básicas que já deveriam estar garantidas no orçamento regular da Educação.
E as cirurgias foram realizadas?
Há muita propaganda, mas os dados concretos são difíceis de verificar. Embora o prefeito use as redes sociais para anunciar os feitos, o Portal da Transparência muitas vezes apresenta os gastos de forma genérica (dentro de blocos da Saúde), o que dificulta saber se aquela cirurgia específica foi paga com o “dinheiro do Carnaval” ou se já era uma verba carimbada que viria de qualquer forma.
E convenhamos, notas fiscais detalhadas e documentos que comprovem o destino e origem dos recursos não são o forte das redes sociais do – pelas palavras do próprio – “coletor que ganhou pra prefeito”.

