
O Ministério Público de São Paulo acaba de expor as entranhas de um suposto esquema de corrupção que transformou a 56ª FAPI em um balcão de negócios privados mantido com dinheiro do contribuinte.
Através de uma ação civil pública por improbidade administrativa, a promotora Paula Bond da 6ª Promotoria de Justiça de Ourinhos detalha uma engrenagem perversa operada pelo alto escalão municipal, cujo lema, segundo a acusação, era a máxima da má gestão pública: “privatizar o lucro e socializar o prejuízo”.

O Núcleo Político e a Captura de Receitas
A investigação do MP não deixa dúvidas sobre o centro das decisões. O esquema teria sido arquitetado diretamente no gabinete do prefeito Guilherme Gonçalves, com a colaboração operacional do secretário de Cultura, Jefferson Bento, e do secretário adjunto de Obras, Luiz Roberto Ferreira conhecido como “ Chileno”. Juntos, eles teriam articulado uma estrutura predatória para capturar as receitas mais lucrativas do evento — como estacionamento e camarotes — que deveriam servir ao interesse público, mas foram desviadas para mãos específicas.
Nesse cenário, a Associação Comercial e Empresarial de Ourinhos (ACE) presidida por Robson Martuchi, surge sob uma luz sombria: a Promotoria a classifica como uma “entidade escudo”, uma fachada institucional utilizada para permitir que empresas umbilicalmente ligadas ao secretariado assumissem o controle dos espaços rentáveis da feira, longe do rigor das licitações tradicionais.
A teia da triangulação e o enriquecimento pessoal

O detalhamento da “engenharia financeira” é escandaloso. Segundo a Promotoria, houve uma triangulação estratégica. A ACE repassou a exploração do evento para a N.B. Produções do asseswsor do deputado Capitão Augusto Neno Batista. Esta, por sua vez, subcontratou a Golden Eleven Produções de Eventos Ltda— empresa que pertence, nada menos, ao próprio secretário adjunto de Obras o “Chileno”, que emerge como o eixo central e o beneficiário final do estratagema de enriquecimento ilícito.
O rastro do dinheiro é direto e vergonhoso
Pagamentos feitos pelo público da FAPI teriam sido transferidos sem pudor para contas pessoais do secretário e de seus familiares. A desfaçatez é tamanha que transferências atípicas foram registradas justamente na véspera do evento. Enquanto o lucro era pulverizado entre os aliados do governo, a Prefeitura de Ourinhos arcava com o ônus pesado, bancando quase toda a infraestrutura, banheiros, palco, som e cachês que ultrapassam a cifra de R$ 1,5 milhão. Trata-se de uma dissimulação onde o interesse coletivo foi aniquilado em favor de bolsos particulares.

Fraude documental e o Teatro Jurídico
Para dar uma aparência de legalidade ao que era ilegal, o Ministério Público aponta que as contratações foram criminosamente fatiadas em dezenas de pequenos processos. O objetivo era claro: fugir da obrigatoriedade de licitação. Mais grave ainda é a denúncia de que os documentos oficiais foram “fabricados” e montados tardiamente, quando o evento já estava em curso, numa tentativa desesperada de formalizar o que já havia sido decidido “entre amigos”.
O acerto de contas com a Justiça

Diante da robustez das provas, a Promotoria não hesitou em pedir medidas drásticas à Justiça para proteger o patrimônio de Ourinhos:
Bloqueio de bens: No valor de até R$ 1.309.250,00 para garantir o ressarcimento.
Quebra de sigilo fiscal: Devassando as contas do prefeito Guilherme, dos secretários Jefferson e Chileno, das empresas Golden Eleven e N.B., e da ACE, no período de janeiro a julho de 2025.
Afastamento Imediato: A retirada de Luiz Roberto (Chileno) de suas funções públicas.
A ação busca o que a sociedade espera: a perda dos cargos, a suspensão dos direitos políticos e o ressarcimento integral de cada centavo desviado do erário. O que se vê na 56ª FAPI não é apenas um erro administrativo, mas, segundo o MP, um projeto de poder que usou a maior festa da cidade como caixa eletrônico particular. A integra da ação proposta pelo MP pode ser lida nesse link: https://paginad.com.br/envios/2026/02/22/1c698ee688cc29f13fac6fba300c76122b171b34.pdf
Com informações do Página D

