Interditado desde abril de 2025, o Teatro Municipal Miguel Cury pode permanecer fechado durante todo ano de 2026 devido à tardia reforma, anunciada ainda em 2022, durante o segundo mandato de Lucas Pocay. A falta de manutenção adequada nos últimos anos resultou em uma série de problemas, como goteiras e rachaduras no telhado, agravando a situação a ponto de exigir uma intervenção estrutural profunda.
A interdição foi uma medida do Inquérito Civil do Ministério Público (MP) para garantir a segurança e a integridade do prédio, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC nº 29.001.0080518.2022-71), conduzido pela 5ª Promotoria de Justiça de Ourinhos. O MP interveio ao constatar o estado de abandono e os riscos estruturais, especialmente no telhado — com infiltrações severas — e no sistema de prevenção contra incêndios.
Entre os pontos firmados por Lucas Pocay no TAC, consta a obrigatoriedade de reformas emergenciais para sanar o “risco de desabamento do forro de gesso”, que ameaçava o público e os artistas. Além do telhado, o teatro precisa se adequar às normas atuais de acessibilidade e às exigências do Corpo de Bombeiros.
Três anos se passaram e a reforma ainda não foi iniciada pela administração de Guilherme Gonçalves. A gestão atual alega que foi necessário atualizar o TAC firmado anteriormente. Segundo o secretário de Cultura, Jefferson Bento, o projeto da administração Pocay não contemplava todas as necessidades do edifício. Bento afirmou ao Ourinhos Diário que o problema no telhado e sua real gravidade só foram identificados este ano por técnicos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano — contrariando o que já havia sido apontado pelo MP em 2022.
Segundo o secretário soma-se ao impasse, uma recente vistoria de técnicos do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) identificou novas falhas que precisam de correção. “Buscamos junto ao MP uma atualização do TAC para elaborar um novo projeto de reforma e revitalização que contemple, de fato, todo o necessário”, declarou Jefferson Bento.
A prefeitura argumentou ao promotor Marcos Brandini que o atual Decreto de Contingenciamento de gastos torna os procedimentos mais complexos. Diante disso, em 18 de novembro de 2025, um Compromisso de Ajustamento de Conduta (CAC) foi assinado pelo atual prefeito. O novo prazo estimado para a conclusão do projeto e da obra é de 12 meses, estendendo-se até o final de 2026. O CAC ainda depende de aprovação do Conselho Superior do Ministério Público.
Questionado pelo Ourinhos Diário se a projeção de 12 meses significa que a cidade ficará mais um ano sem o teatro, Jefferson Bento respondeu: “Significa que a obra está prevista para durar 12 meses. Se isso implica o fechamento total, depende de alguns fatores. Um prédio que necessita de reforma estrutural ampla precisa ser fechado durante as etapas da obra, mas podem haver exceções, como reformas por fases ou aberturas parciais em datas específicas que não impeçam o uso do espaço.”

