Não é apenas crise, a gestão do suposto ex-coletor Guilherme Gonçalves em Ourinhos está vivendo um verdadeiro “open bar” de irregularidades. Desta vez atingiu aquele estágio de “crise aguda” que faria qualquer cardiologista – e promotor – suar frio.
Entre suspeitas de contratos com cartas marcadas e aquela pitada clássica de suposta corrupção com cheiro de naftalina, o prefeito parece testar a resistência das leis da física política com a Câmara Municipal provando que, quando o assunto é proteger o “chefe” (Leia-se: benesses e indicados dos vereadores ocupando cargos), a fidelidade é mais forte que as denúncias do Ministério Público.

A realidade é que o desgaste político do prefeito e vereadores se agrava com mais um pedido de abertura de processo de afastamento de iniciativa popular protocolado e apresentado na sessão desta segunda-feira (24/02) . Lembram de dezembro de 2025? Pois é, os moradores tentaram. Na época, 12 dos 15 vereadores decidiram que as denúncias eram apenas “ruído”.
Agora, o grupo de munícipes voltou com um upgrade: anexaram uma denúncia do Ministério Público de São Paulo, que afirma ter desvendado um suposto esquema de desvio, um ralo por onde escorreu dinheiro público durante a 56ª FAPI.
Os denunciantes solicitam que a Câmara recebesse a denúncia e instalasse uma Comissão Processante notificando o prefeito para apresentar sua defesa; que ao final do processo, decrete a cassação do mandato de Guilherme Andrew Gonçalves da Silva. Porém, mesmo com o Ministério Público (MP) ingressando com ação civil pública por improbidade administrativa contra o prefeito e outros agentes públicos, por um placar de 11 votos a 3, o pedido foi rejeitado.
O G11 e o placar da Impunidade
Nem a denúncia bombástica do Ministério Público que certamente deve virar ação de improbidade, foi suficiente para comover o “G-11” de Ourinhos. Com exceção de Kita, Wesley Carlos e Cícero Aquino, o restante da tropa de choque decidiu que o melhor lugar para uma denúncia grave é o fundo de uma gaveta bem trancada.
Os defensores do arquivamento:

Borjão, Alexandre Enfermeiro, Celinho Cabeleireiro, Raquel Spada, Eder Mota, Marcinho, Abel Fiel, Anisio Felicetti, Furna, Gil Carvalho e Vadinho. O pedido foi direto para a gaveta (ou triturador), sem nem passar pelo “oi, tudo bem?” das comissões.
O desaparecido

Enquanto o pedido de investigação era lido no plenário, notou-se uma ausência ensurdecedora: o vereador João Gonçalves, irmão do prefeito e mestre na arte do silêncio, simplesmente não deu as caras. Dizem as más línguas que ele preferiu o conforto do lar ao desconforto de votar contra (ou a favor) do próprio sangue. Prático, não?
Irrelevantes
Para que o esforço dos 11 vereadores escudeiros em proteger o prefeito seja compreendido, vamos aos “detalhes irrelevantes” que eles decidiram ignorar:
A farra da FAPI: Fraudes em licitações que o MP insiste em chamar de crime. O Combo ABEDESC com contratos que parecem roteiro de filme de suspense. Recursos da educação (FUNDEB) que devem estar brincando de esconde-esconde. Atrasos salariais e o sumiço dos repasses de empréstimos consignados (aquele truque de mágica onde o dinheiro sai do holerite do servidor, mas nunca chega ao banco).
Moral da história: A Câmara pode ter fechado os olhos, mas a cidade de Ourinhos está com eles bem abertos. O assunto nas esquinas não é mais se houve esquema, mas sim como a “blindagem” vai aguentar o peso das investigações que o Ministério Público não pretende arquivar tão cedo.
E o prefeito ainda não gravou e divulgou um videozinho no seu estilo Tik Tocker defendendo-se das denúncias.

