Descrição
O álbum Geraes, lançado em 1976, é o coração da fase mais experimental e telúrica de Milton Nascimento.
Ele é considerado o “irmão gêmeo” do disco Minas (1975). Enquanto Minas é um mergulho introspectivo e quase solitário, Geraes é o retorno ao coletivo, à terra e à integração com a América Latina.
Conexão Latino-Americana
Este é um dos discos mais “políticos” e integradores de Milton. Ele rompe fronteiras ao trazer:
Mercedes Sosa: A maior voz da resistência argentina canta com Milton em uma versão histórica de “Volver a los 17” (de Violeta Parra).
Grupo Agua: Um conjunto chileno que traz instrumentos andinos, reforçando a sonoridade de “pueblo” que o disco carrega.
Parcerias Icônicas
O disco transborda colaborações que definiram a MPB:
Chico Buarque: Estreia aqui a versão definitiva de “O Que Será (À Flor da Pele)”, uma das canções mais potentes da nossa música.
Clementina de Jesus: A “Rainha Quelé” traz a ancestralidade do samba e do jongo na faixa “Circo Marimbondo”.
Clube da Esquina: Presenças constantes de Beto Guedes, Toninho Horta e Nelson Angelo.
Faixas Essenciais
“Fazenda”: Abre o disco com uma nostalgia rural, quase como uma pintura de infância.
“Calix Bento”: Uma adaptação do folclore mineiro (Folia de Reis) que se tornou um hino espiritual nas mãos de Milton.
“A Lua Girou”: Outra peça de raiz folclórica, interpretada com uma pureza vocal impressionante.
“Menino”: Uma canção de resistência sutil e poética contra a ditadura militar da época.
O Vinil e a Estética
A Capa: Mantém a estética do papel “kraft” (pardo), assim como o disco Minas. A arte é minimalista, evocando algo orgânico, artesanal e vindo da terra.
Sonoridade: No vinil, você percebe melhor a mistura entre os instrumentos acústicos (violões, flautas e percussão mineira) e os sintetizadores discretos que começavam a aparecer. É um som “quente” e muito espacial.
Geraes não é apenas um álbum de música; é um manifesto de que Minas Gerais é, na verdade, um pedaço de toda a América Latina.







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