O cenário político em Ourinhos atingiu um novo patamar de tensão com o desdobramento da denúncia do Ministério Público (MP) contra o vereador João Gonçalves (PP), irmão do prefeito Guilherme Gonçalves. João é investigado pela 6ª Promotoria de Justiça por suposto enriquecimento ilícito e figura na Ação Civil Pública por improbidade administrativa devido a irregularidades na organização da 56ª FAPI. A ação tem o prefeito como alvo principal, mas inclui seu irmão e outros nomes e entidades que teriam participado do suposto esquema na feira em 2025.
Na noite desta quinta-feira (23), a situação do parlamentar ganhou contornos dramáticos: enquanto ocorria a sessão ordinária na Câmara Municipal, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão, recolhendo, no estacionamento do Legislativo, um veículo Corolla pertencente ao vereador.
O Ministério Público já obteve medidas cautelares severas contra o prefeito, incluindo o bloqueio de bens e a quebra dos sigilos bancário e fiscal, em um processo que apura desvios superiores a R$ 1 milhão na exploração do estacionamento da FAPI em 2025.
Essa nova frente de investigação, somada à apreensão do veículo do vereador, amplia a crise que já cerca o núcleo familiar do governo. Com pouco mais de um ano de mandato, a administração de Guilherme Gonçalves se vê acuada por uma sequência de questionamentos sobre a transparência e a ética na gestão do dinheiro público. O episódio da apreensão do carro em pleno horário de trabalho legislativo acelera o desgaste político do grupo, transformando a rotina da Prefeitura e da Câmara em um ambiente de incertezas e cobranças por responsabilidade administrativa.

Nota Oficial da Câmara sobre o ocorrido
A Câmara Municipal de Ourinhos informa que a diligência realizada nesta data por autoridades competentes nas dependências do Poder Legislativo está relacionada a fatos de natureza estritamente individual, envolvendo parlamentar, não tendo qualquer relação com as atividades institucionais da Casa.
O Legislativo esclarece que não é parte na investigação e que todos os atos estão sendo conduzidos pelos órgãos competentes, a quem cabe a apuração dos fatos.
A Câmara reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições, destacando que não compactua com eventuais irregularidades e que confia no pleno esclarecimento da situação, sempre com a garantia do devido processo legal.
O Poder Legislativo permanece à disposição das autoridades para colaborar no que for necessário.

