O contador Leandro Moraes, que ocupou o cargo de secretário de Finanças de Ourinhos nos meses iniciais do mandato de Guilherme Gonçalves, tem utilizado suas redes sociais para revelar detalhes dos bastidores de sua passagem pela pasta. Em uma série de publicações, Moraes apresenta críticas contundentes e denúncias sobre o funcionamento da atual gestão.
Embora os fatos narrados tenham ocorrido há mais de um ano, Moraes afirma que a motivação para vir a público agora é a indignação com ataques pessoais e a exposição de sua família nas redes sociais por perfis que ele liga ao grupo político do prefeito.

O “Caminho do Dinheiro” sob o olhar de um técnico
Com o domínio técnico de quem entende de orçamentos, fluxos de caixa e sistemas de empenho, o ex-gestor detalha os caminhos do dinheiro público durante o período em que esteve na administração. O que ele expõe é grave: suas declarações compõem um quadro de como a máquina pública estaria sendo desviada de sua função social para priorizar “negócios” em detrimento de serviços essenciais, servindo a fins particulares.
Em um desabafo publicado no Facebook na segunda-feira (27), Moraes descreveu um cenário clássico de pressão política indevida e desvio de finalidade. A postagem detalha uma escalada de coerção que teria começado com uma consulta de um “agente político de fora” e evoluído rapidamente para uma urgência fabricada envolvendo cifras milionárias.

A operação de R$ 2,3 milhões
Sempre omitindo nomes, o relato aponta para uma suposta operação de favorecimento a uma empresa terceirizada da Secretaria de Educação. Segundo Moraes, houve uma pressão intensa de agentes políticos para a liberação imediata de um empenho no valor exato de R$ 2.324.291,35, ignorando os ritos legais e a ordem cronológica de pagamentos do município.
O ex-secretário afirma que a justificativa dada para o atropelo das normas era de que a empresa paralisaria suas atividades por falta de verbas. Contudo, ao auditar as contas, Moraes constatou que os pagamentos estavam rigorosamente em dia. Além disso, o setor administrativo já estaria estranhamente instruído a ignorar a ausência de um parecer pendente da Comissão de Fiscalização.
Indícios de Dano ao Erário

O desfecho do caso reforça a tese de irregularidade: poucos meses após receber o montante milionário de forma acelerada, a empresa encerrou suas operações e deixou o município. Enquanto isso, a prefeitura acumulava atrasos em outras obrigações essenciais.
O fato de a empresa ter recebido o valor e se retirado logo em seguida sugere um possível esvaziamento de recursos. Caso o pagamento tenha ocorrido sem a devida fiscalização ou contraprestação de serviços, os envolvidos podem responder por dano ao erário.
A narrativa de Leandro Moraes descreve uma estrutura onde o rito legal foi substituído pela vontade política. Pelas características dos relatos — que envolvem indícios de malversação, tráfico de influência e improbidade — o caso apresenta elementos que justificariam uma investigação profunda por parte do Ministério Público e do Tribunal de Contas.

