O rock nacional perdeu nesta semana uma de suas figuras mais emblemáticas e fundamentais. Luiz Carlini, guitarrista, compositor e fundador da lendária banda Tutti Frutti, faleceu aos 73 anos na capital paulista, deixando um vazio imenso na cultura brasileira. Nascido na Pompeia, o berço do rock de São Paulo, Carlini transformou sua proximidade com nomes como Os Mutantes em uma carreira que definiria a sonoridade de toda uma geração. Sua técnica refinada e sua sensibilidade melódica foram os pilares de uma era de ouro da nossa música.
Sua consagração definitiva ocorreu ao lado de Rita Lee, com quem formou uma parceria histórica. No comando do Tutti Frutti, ele foi o arquiteto sonoro do álbum “Fruto Proibido”, de 1975, obra que até hoje é citada como o disco de rock definitivo do Brasil. É de Carlini o solo de guitarra de “Ovelha Negra”, uma peça tão icônica e inspirada que transcendeu o gênero, tornando-se uma melodia gravada no inconsciente coletivo de milhões de brasileiros. O músico frequentemente dizia que aquele solo havia surgido quase como uma intuição sobrenatural, e o resultado foi uma das execuções mais memoráveis da história da música mundial.
Ao longo de mais de cinco décadas de trajetória, a versatilidade de Carlini o levou a colaborar com uma lista impressionante de artistas, desde Erasmo Carlos e Guilherme Arantes até bandas como Camisa de Vênus e Titãs. Sua contribuição como músico de estúdio é vasta, somando participações em centenas de discos que moldaram o rádio e as coleções de vinil no país. Recentemente, ele vinha celebrando o legado do Tutti Frutti com shows que provavam que sua pegada na guitarra permanecia intacta, mantendo viva a chama do rock autêntico e bem executado.
Com a sua partida, o Brasil se despede não apenas de um mestre das cordas, mas de um operário da arte que sempre valorizou a produção independente e o talento nacional. Carlini deixa um legado de rigor musical e paixão pelo palco que continuará a inspirar novos guitarristas. Sua Gibson Les Paul agora silencia, mas o eco de seus solos inesquecíveis permanecerá vivo em cada rádio, vitrola e palco que celebre o verdadeiro espírito do rock brasileiro.

