No surpreendente mundo da política de Ourinhos, as cadeiras do Executivo parecem ter adquirido vida própria. Gira daqui, gira dali e, de repente , já existe a possibilidade de uma nova troca. É quase um sistema de revezamento — com direito a troca de comando, secretários novos e muita expectativa nos bastidores.
A novela ganhou mais um capítulo nesta terça feira (25), depois que o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu de 90 para 60 dias o afastamento cautelar do prefeito Guilherme Gonçalves, investigado em apurações relacionadas a contratos da área da educação.
Com a decisão, o retorno do prefeito ao cargo ficou previsto para 2ª feira 31 de agosto. E isso significa que o prefeito em exercício, Alexandre Zóio, que passou quase dois meses comandando a Prefeitura, terá de começar a organizar a mudança de volta.
É hora de devolver a chave, esvaziar a gaveta, conferir se não ficou nenhum documento comprometedor por lá e, quem sabe, ensaiar aquela clássica expressão de despedida: “foi bom enquanto durou”.
Durante o período em que esteve à frente do Executivo, Zóio promoveu mudanças na estrutura administrativa e fez valer a máxima de que, quando se recebe a chave do gabinete, é preciso aproveitar enquanto ela está na mão.
Mas a política de Ourinhos, como se sabe, não costuma trabalhar com finais felizes ou tranquilos.
Guilherme pode retornar à Prefeitura em uma segunda-feira, mas a tranquilidade do retorno promete durar pouco. Já existe julgamento de cassação marcado na Câmara Municipal para a quarta-feira seguinte. Ou seja: o prefeito pode voltar pela porta da frente e, poucos dias depois, descobrir que existe outra porta — bem menos confortável — esperando por ele.
O resultado dependerá do placar entre os vereadores. Para Guilherme, portanto, o retorno ao cargo não representa necessariamente o fim da crise política. Pode ser apenas o intervalo entre dois capítulos.
É o curioso fenômeno do “voltei, mas já vou”.
De um lado, a Justiça reduz o período de afastamento. De outro, a Câmara prepara um julgamento político. No meio disso tudo, a população acompanha a movimentação tentando entender quem, afinal, estará comandando a Prefeitura quando chegar a próxima segunda-feira — e, principalmente, quem continuará lá quando chegar a quarta.
Enquanto isso, o gabinete do prefeito talvez precise de menos móveis e mais rodinhas.
A cada nova decisão, troca de comando ou julgamento, Ourinhos vai transformando a administração municipal em uma espécie de “dança das cadeiras” institucional. Só que, nesse jogo, não basta encontrar uma cadeira quando a música para. É preciso saber se ela continuará disponível no capítulo seguinte.
E assim segue a novela política ourinhense: Guilherme volta, Zóio sai, a Câmara julga e a população assiste.
Se tudo isso fosse uma série de televisão, provavelmente já teria sido renovada para a próxima temporada.
Na Prefeitura, porém, ninguém sabe ainda quem estará sentado na cadeira quando começarem os próximos episódios.

