Desde 29 de setembro, a Secretaria de Saúde de Ourinhos conduz um processo administrativo preparatório para auditoria apurar despesas realizadas entre 2021 e 2026, período que abrange o segundo mandato de Lucas Pocay e os dezesseis meses de Guilherme Gonçalves à frente da Prefeitura.
A Prefeitura decidiu passar a limpo os gastos da Saúde após identificar indícios de possíveis irregularidades, incluindo suspeitas de superfaturamento e cobranças por serviços que não teriam sido prestados.
Segundo declarações do secretário de Saúde, André Melo, as suspeitas ganharam força diante da queda abrupta dos gastos com horas médicas a partir de julho de 2026, quando Alexandre Zóio assumiu o Executivo, sem redução informada no número de profissionais, nas horas trabalhadas ou no atendimento nas unidades de saúde.
“Em 2024, gastava-se, em média, R$ 1.100.000,00 (um milhão e cem mil reais) por mês com horas médicas. Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, essa média caiu para cerca de R$ 900.000,00 (novecentos mil reais) mensais. Entretanto, a partir de julho, impressionantemente, sem que tenha havido qualquer diminuição de profissionais ou das horas de trabalho médico nas unidades de saúde, esse valor caiu para R$ 346.000,00”, afirmou o secretário no canal oficial da Prefeitura.
Novo escândalo à vista?
Segundo o secretário, as suspeitas surgiram quando a nova gestão analisou os gastos com médicos contratados por meio da terceirização dos serviços de saúde à ABEDESC, uma Organização da Sociedade Civil (OSC), entidade privada sem fins lucrativos que desenvolve atividades de interesse público e relevância social.
Como as unidades continuaram funcionando sem redução informada de profissionais ou de horas médicas, a queda superior a 60% nos custos levantou questionamentos sobre os valores anteriormente pagos. Entre as hipóteses a serem apuradas estão possíveis cobranças indevidas, plantões não realizados e superfaturamento. Afinal, se o serviço continua, mas a conta despenca, a matemática merece uma explicação.
O que mais será investigado?
O pente-fino não ficará restrito aos médicos. A Prefeitura pretende fiscalizar contratos relacionados à UPA e ao PA da Cohab, incluindo serviços de lavanderia, alimentação, informática e fornecimento de pessoal.
Outro ponto sob investigação são possíveis “contratações fantasmas”. A auditoria deverá verificar denúncias de que pessoas contratadas pela ABEDESC, por meio da UMMES, receberiam para trabalhar na Saúde sem comparecer às unidades ou estariam prestando serviços em outras secretarias municipais.
Lucas Pocay na lupa
Para dimensionar o trabalho, somente as despesas da Secretaria de Saúde em 2024 somam cerca de R$ 50 milhões, que serão reexaminados para verificar se os serviços foram efetivamente prestados e se os valores pagos eram compatíveis com os contratos.
A apuração deverá esclarecer se houve irregularidades, como suspeita o secretário André Melo. Até lá, é importante distinguir suspeitas de fatos comprovados. Mas uma coisa é certa: quando milhões de reais entram na lupa, a população tem o direito de saber para onde foi cada centavo.

