Da Redação – Longe de ser um problema recente, o sistema de saúde pública de Ourinhos enfrenta uma crise com precedentes. O setor já apresentava graves falhas e deficiências acumuladas nas gestões passadas, permanecendo sem solução ao longo dos oito anos do mandato de Lucas Pocay.
Ainda mais distante de uma resolução, o quadro atual vem sendo classificado como de “colapso” e “desumano”. Termos utilizados pelo pelo vereador Edvaldo Lúcio Abel (PODEMOS) em recente pronunciamento na Câmara. Em discurso ele citou dados sobre o agravamento de uma situação que, em vez de ser corrigida, atingiu patamares críticos sob a atual administração devido “à falta de organização e ao planejamento falho”. O vereador revelou que os números obtidos via Secretaria de Saúde , se verdadeiros , demonstram o desmonte do atendimento municipal e uma demanda reprimida que cresce exponencialmente.

O vereador eleito pelo mesmo partido do prefeito Guilherme Gonçalves, destacou que, em vez de enfrentar o caos, a administração optou por uma movimentação política questionável: o ex-secretário de Saúde Diego Singolani, responsável pela pasta durante o agravamento desses índices, foi realocado para o cargo de chefe de gabinete.
Para o vereador, a manobra soa como um “prêmio” a uma gestão ineficiente, enquanto o cidadão, que depende do SUS, amarga a espera por atendimento sem qualquer perspectiva de solução.
Segundo Vadinho, a Rede básica de Ourinhos atua com apenas 20 médicos. Será?
O vereador também afirmou – sem antes se resguardar com o manjado “salve melhor juízo” – que a rede básica opera com um quadro reduzido de apenas 20 médicos. Se essa informação for verdadeira Ourinhos opera com menos de 60% do contingente necessário para uma cobertura mínima, segundo parâmetros do Ministério da Saúde. 20 médicos para 108 mil habitantes resulta em uma proporção de 1 médico para cada 5.400 habitantes.

A afirmação do vereador feita com ressalvas é uma conta que não fecha. Provavelmente pelo fato de que, é impossível saber quais e quantos médicos estão atendendo na Rede Pública de Saúde de Ourinhos em 2026.
O site oficial da prefeitura mantém uma página ativa intitulada “Lista de Profissionais das Unidades Básicas de Saúde”, Prefeitura de Ourinhos – Lista de Profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) onde se encontra um verdadeiro “túnel do tempo”. Ao clicar nos links de cada bairro, todos os documentos PDF com as escalas de médicos e dentistas trazem a mesma data: maio de 2021.
Há meia década, o cidadão ourinhense não tem acesso a uma lista oficial sobre os profissionais que cuidam da sua saúde . A desatualização da página oficial revela outro grave problema: falta de transparência e o apagão de dados estatísticos.
Por lei, o morador deveria conseguir somar os nomes da lista oficial para saber exatamente quantos médicos atendem hoje na rede básica do município. Com documentos congelados no ano de 2021, torna-se impossível para a população e para os órgãos de fiscalização calcular o tamanho real do deficit atual de profissionais ou verificar se o total de médicos contratados em 2026 condiz com a demanda dos bairros.
Transparência e discurso
O Ourinhos Diário reforça a gravidade da denúncia e acrescenta que a apresentação desses números apenas por meio de uma fala do vereador na Câmara pode ser apenas o primeiro passo. É necessária transparência absoluta: onde estão os documentos oficiais que comprovam essas filas e os numeros citados?
A população de Ourinhos tem o direito constitucional de conhecer, com precisão e clareza, a real situação do sistema de saúde. A transparência deve ser a regra, não a exceção. Documentos devem estar disponíveis para consulta pública em portais oficiais, sem que a informação dependa exclusivamente de discursos de vereadores.

