Centro Cultural: entre a cerimônia de inauguração e a realidade do não funcionamento

Cidade Cultura & Lazer Política

José Luiz Martins

A prática está em todas as esferas de governo: inaugurações cuja principal função é render placas, discursos, fotos e postagens nas redes sociais. Afinal, obra inaugurada rende postagem. Obra funcionando plenamente… bem, isso pode esperar.

É claro que recuperação do Centro Cultural tem que ser comemorada. Mas fica a pergunta: se o equipamento ainda não tem condições de funcionar plenamente, qual era a urgência de inaugurá-lo?

O prédio foi entregue para as fotografias, mas, ao que tudo indica, ainda não está totalmente apto e sem previsão da volta das atividades da Escola Municipal de Música e Bailado. Enquanto isso, as aulas continuam em espaços improvisados e precários com evasão de alunos.

O professor e músico Marcelo Ouro, falando em nome do Observatório da Cultura de Ourinhos (OBCO) expôs o cenário em que o Centro Cultural, inaugurado em 28 de agosto, ainda enfrenta pendências para funcionar plenamente, incluindo questões relacionadas ao elevador, infraestrutura, Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, falta de docentes e nomeações sem critérios técnicos.

Desfalque e indicações técnicas

Chama atenção as informações de um grande desfalque no corpo docente da Escola de Música, com vários profissionais concursados pedindo exoneração reflexo de um cenário crítico que impacta diretamente o funcionamento da escola. Não há professores para os cursos de bateria, guitarra, sax, trombone, viola e flauta.

Soma-se a isso a ocupação de cargos estratégicos por pessoas sem formação ou experiência compatível. Isso é comumente acontece em vários setores da administração, em muitos casos são indicações de vereadores. A direção da escola, por exemplo, está nas mãos de uma servidora do cargo de Auxiliar de Educação Infantil. Já para a gerência do Teatro Municipal, teria a indicação de um motorista, mesmo com o teatro fechado há mais de um ano à espera de reformas.

A situação contrasta com o discurso (Vídeo) do prefeito em exercício, Alexandre Zóio, de que as indicações para Cargos de Confiança (CC) e Funções de Confiança (FC) obedeceriam à critérios técnicos conforme declarações a imprensa.


Política Nacional Aldir Blanc (PNAB)

Outro problema apontado pelo OBCO é a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Ourinhos recebeu recursos para a Cultura, mas, apesar da contratação de uma empresa para auxiliar na elaboração dos editais, a execução segue lenta com os fazedores de cultura ourinhenses esperando.

Cultura não se faz com cerimônia de inauguração.

Faz-se com salas funcionando e funcionários tecnicamente capacitados trabalhando, alunos estudando, equipamentos disponíveis e planejamento.Mas talvez exista uma explicação. O grupo politico em exercício precisa mostrar serviço, apresentar resultados e fortalecer o discurso de que Alexandre Zóio deve continuar no comando.

E nada melhor para isso do que inaugurar uma obra mesmo que ela ainda não possa cumprir integralmente sua finalidade, com oportunismo de quem aproveita para herdar os méritos de uma obra sem fazer justiça a quem anteriormente a idealizou e avançou com o projeto.

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